SONETO DE FIDELIDADE
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes
(Poema escolhido por Diogo João Saramago)
quarta-feira, 11 de março de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
SORTIDO FINO
Quando me disponho
A navegar na poesia
Procuro sempre poemas
Curtos, daqueles que provocam
Uma emoção breve
Rápida como um arrepio
E logo passo a outro
Buscando mais uma emoção
E outro arrepio
Busco no poema a emoção
Como quem busca
O chocolate mais delicado
O recheio mais desconcertante
O sabor mais surpreendente
De entre vários
Numa caixa cheia de cores
Aromas, texturas, sabores
Há que debicar aqui
Ali e todos, para saber
Qual o que calma o palato
Qual satisfaz o gosto
Um após o outro vou descobrindo
O mais sensual, o menos doce
O mais aveludado, o menos rugoso
O mais areado, o menos áspero
O mais, o menos
Gosto de poemas curtos
Que num arrepio me provocam
Uma emoção rápida e pura
E logo procuro outro e mais outro
Em busca de mais um arrepio
E outra emoção
Sempre em busca
Da sensação, da emoção
Do poema que me sacie
Maria Paula Marques
(Poema escolhido por Tatiana Calvão Sousa)
Quando me disponho
A navegar na poesia
Procuro sempre poemas
Curtos, daqueles que provocam
Uma emoção breve
Rápida como um arrepio
E logo passo a outro
Buscando mais uma emoção
E outro arrepio
Busco no poema a emoção
Como quem busca
O chocolate mais delicado
O recheio mais desconcertante
O sabor mais surpreendente
De entre vários
Numa caixa cheia de cores
Aromas, texturas, sabores
Há que debicar aqui
Ali e todos, para saber
Qual o que calma o palato
Qual satisfaz o gosto
Um após o outro vou descobrindo
O mais sensual, o menos doce
O mais aveludado, o menos rugoso
O mais areado, o menos áspero
O mais, o menos
Gosto de poemas curtos
Que num arrepio me provocam
Uma emoção rápida e pura
E logo procuro outro e mais outro
Em busca de mais um arrepio
E outra emoção
Sempre em busca
Da sensação, da emoção
Do poema que me sacie
Maria Paula Marques
(Poema escolhido por Tatiana Calvão Sousa)
domingo, 11 de janeiro de 2009
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
HISTÓRIA ANTIGA
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.
Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga
(Poema escolhido por Margarida Nery)
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.
Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga
(Poema escolhido por Margarida Nery)
terça-feira, 11 de novembro de 2008
O CONVITE
Não me interessa a forma como ganhas a tua vida.
Não me interessa a tua idade.
Desejo saber se, como um louco, ousas ir à procura do amor,
do teu sonho, a aventura de estar vivo.
Não me interessa saber quais são os planetas que tornam a tua lua quadrada.Conta-me se já tocaste o centro da tua tristeza, se te tornaste mais aberto através das desilusões da vida, ou te fechaste com medo de sentir ainda mais dor.
Mostra-me se consegues aguentar a dor, a tua e a minha, sem teres de te esconder, de a expulsar ou de te fixares nela.
Diz-me se consegues estar com a alegria, a minha e a tua, se consegues dançar loucamente, se permites que o êxtase te preencha até à ponta dos teus dedos, sem teres que chamar a atenção para o facto de ser necessário ser realista e lembrares-nos os limites da vida.
Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Diz-me se tens a coragem de desiludir alguém e, assim, seres fiel a ti mesmo. Se aguentas o peso de ser considerado um traidor porque não aceitas atraiçoar a tua própria alma: aguentas ser coerente e, por isso mesmo, és digno de confiança.
Diz-me se consegues ver a beleza, mesmo quando ela não é visível, se, em cada dia, ela te torna capaz de seres fonte de vida.
Quero saber se consegues viver com os fracassos, com os teus e os meus, e, no entanto, és capaz de te sentares à beira do lago e gritares à lua: “SIM!”
Não me interessa onde moras e quanto dinheiro ganhas. Diz-me se consegues levantares-te depois de uma noite de desespero e rancor, cansado e ferido até aos ossos, e fazes tudo o que é necessário para as crianças terem o suficiente para comer.
Não me interessa saber quem conheces e como chegaste aqui. Diz-me se aguentas estar comigo no centro do fogo sem fugir.
Não quero saber onde, o que e com quem estudaste.
Quero saber o que te alimenta interiormente quando tudo no exterior ruiu.
Quero saber se consegues suportar a solidão, e se és fiel a ti mesmo nos momentos de vazio.
Diz-me aquilo que desejas, se tens a audácia de sonhar,e de ires ao encontro do teu coração.
Oriah Moutain Dreamer
(Poema escolhido por Eva Santos)
sábado, 11 de outubro de 2008
Porque tu és meu Pai...
Pai, ponho-me nas tuas mãos.
Faz de mim o que quiseres.
Venha o que vier, dou-te graças.
Estou disposto a tudo.
Aceito tudo,
com a certeza de que a tua vontade
se cumpre na minha
e em todas as criaturas.
Não desejo nada mais.
Encomendo-te o meu coração,
entrego-te
com todo o amor de que sou capaz.
porque te amo e preciso de dar-me
por-me nas tuas mãos sem medida,
com infinita confiança
porque tu és meu Pai.
Charles de Foucauld
Pai, ponho-me nas tuas mãos.
Faz de mim o que quiseres.
Venha o que vier, dou-te graças.
Estou disposto a tudo.
Aceito tudo,
com a certeza de que a tua vontade
se cumpre na minha
e em todas as criaturas.
Não desejo nada mais.
Encomendo-te o meu coração,
entrego-te
com todo o amor de que sou capaz.
porque te amo e preciso de dar-me
por-me nas tuas mãos sem medida,
com infinita confiança
porque tu és meu Pai.
Charles de Foucauld
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
O Universo é um poema magistral escrito por Deus
O Universo é um poema magistral escrito por Deus,
É uma carta por ele enviada, na qual um verso se destaca.
É uma história contada com letras poderosas!
É um livro que nunca acaba.
Lêem-se as palavras, percebe-se o sentido!
E a mensagem é clara:
"Eu estou aqui."
João Pires
O Universo é um poema magistral escrito por Deus,
É uma carta por ele enviada, na qual um verso se destaca.
É uma história contada com letras poderosas!
É um livro que nunca acaba.
Lêem-se as palavras, percebe-se o sentido!
E a mensagem é clara:
"Eu estou aqui."
João Pires
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